Associação Girassol

Movimento pela plena inclusão social

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No Brasil, não tem sido fácil as lutas das minorias. Mesmo com a eclosão de movimentos libertadores, nos anos 50 e 60, na Europa e no Estados Unidos, grande parte desses brasileiros continuaram dependendo de processos assistencialistas e, por vezes, políticos.
No que se refere às pessoas com deficiência, a situação não é diferente, agravada pelo preconceito e falta de investimento e pesquisa em tecnologias que facilitem, não só sua vida acadêmica, como sua inserção efetiva nas atividades produtivas do país.
Sem acesso à informação de qualidade, especificamente as pessoas com deficiência visual acompanha o desenrolar dos acontecimentos, às vezes perplexo, outras vezes inteiramente a margem da história.
Não havendo informação de qualidade, não há formação. Assim, durante muito tempo, a pessoa com deficiência visual viveu excluído do processo produtivo a espera de novo modelo que reconhecesse sua capacidade e sua existência como produtor e consumidor de bens e serviços.
Quando na Europa e Estados Unidos a consciência dos direitos das minorias já é lugar comum, quando por lá se começa a pensar em políticas compensatórias, por volta dos anos 70, os administradores e empresários brasileiros percebem o tempo perdido, descobrem que entre negros, mulheres e pessoas com deficiência há um vasto mercado a ser desbravado e que há grande contingente de mão-de-obra a espera  do momento de entrar em ação.
Para a pessoa com deficiência visual brasileira, o primeiro passo na direção de sua participação como cidadão no seu meio social acontece com o surgimento do rádio. Agora ele pode tomar conhecimento dos acontecimentos políticos, sociais, econômicos e toda uma realidade que, até então, lhe parecia história distante.
O milagre da informação desperta o ser pensante que a sociedade desconhecia. A partir desse momento, um pequeno número de cidadãos diferentes começam a deslumbrar homens e mulheres dos diversos grupos sociais com suas opiniões, inconcebíveis para quem não ver a luz do sol.
Desta forma, podemos dizer que a primeira contribuição tecnológica para a emancipação da pessoa com deficiência visual, no Brasil, foi a universalização da comunicação radiofônica.

Assim, começamos a dissociar conhecimento de formação. Para que uma pessoa mergulhe em determinados ramos do conhecimento, não é necessário, obrigatoriamente, sentar-se num banco de universidade. Para a pessoa com deficiência visual, as universidades só se abrem em meados dos anos 60.
O sistema Braille, embora já exista há mais de  190 anos, embora signifique o início da libertação intelectual da pessoa com deficiência visual, ainda não lhe insere, de forma efetiva, no mundo do saber, de vez que não produz um material didático inteiramente atualizado em função das dificuldades de sua produção.
Até a Constituição Cidadã de 1988, se confundia deficiência com incapacidade. Hoje entendemos incapacidade como impossibilidade de manifestação consciente da vontade. Enquanto deficiência se restringe apenas a uma limitação física ou sensorial.
Esta diferença conceitual levou os legisladores a transferirem para o Estado a responsabilidade depromover condições de inclusão destes cidadãos e a sociedade a vê-los como agentes econômicos.
Vale lembrar que a emenda nº 12 à Constituição de 1969 já assegurava às pessoas com deficiência acesso à educação especial, reabilitação, acessibilidade e ingresso ao mercado de trabalho. Entretanto, essa medida ainda não sensibilizara nem a sociedade e, muito menos as empresas.

Em condições normais, a tecnologia busca maximizar a produção, reduzindo gastos e alargando mercados.
Neste sentido, uma gama de pessoas acaba por ser excluída do processo, graças à dificuldade de adaptação e o não acesso ao saber, além da falta de informação.
Coube mais uma vez ao Estado atender a essa parcela de excluídos. Inicialmente, o investimento se fez na educação. As regletes se tornaram mais leves, a impressão Braille adquire nova forma através de estereotipia, surge o thermoform e entra em sena, com apoio de algumas empresas privadas, a educação especial.

A nova estrutura do capitalismo tem como características o estado mínimo, globalização das principais atividades econômicas, flexibilidade organizacional, maior poder do patronato nas relações com os empregados e grande pressão competitiva.
Essa nova realidade vai interferir nos processos de educação e profissionalização da pessoa com deficiência visual. Uma escola especial, no entender dos teóricos, acaba segregando o aluno, além do alto custo para o Estado. Nasce a Inclusão.
Vale lembrar que, até hoje, quando se fala de políticas de ação afirmativa, a pessoa com deficiência ainda não é lembrada  convenientemente, embora já exista um conjunto de leis que assegura a estas pessoas, não só o ingresso na rede regular de ensino, como também ao mercado de trabalho.
De fato, há um certo aspecto sazonal no interesse da sociedade no atendimento à pessoa com deficiência.
A cada período de tempo, ora o governo, ora determinada parcela da sociedade se dão conta de que estes cidadãos existem e que são capazes de produzir como qualquer agente econômico. Inicia-se então uma nova etapa de reconhecimento.
Como se sabe, os movimentos libertadores dos anos 50 e 60 não tiveram, prioritariamente, natureza econômica, em que pese o surgimento da preocupação com direitos humanos remonte a este período.
A luta pelo respeito aos direitos humanos, embora não diretamente, contribuiu para o crescimento da produção e alargamento dos mercados, no momento que incluiu no processo econômico indivíduos que nunca eram lembrados como agentes da economia.
Talvez este movimento tenha sido responsável, ainda que involuntariamente, pela percepção da pessoa com deficiência, sobretudo o deficiente visual, como alguém capaz de produzir e consumir bens e serviços.
Com a chegada da informática de grande porte no Brasil, abriu-se um novo horizonte para a pessoa com deficiência visual. Além de trazer novas perspectivas de trabalho, a informática trouxe equipamentos que facilitaram o seu cotidiano, como calculadoras sonoras, termômetros falantes e outros componentes do seu dia-a-dia que lhe deram maior independência em suas ações.
É oportuno lembrar que "deficiente visual é toda pessoa que possua uma acuidade visual igual ou inferior a 20/60, no melhor olho, depois de toda correção, cirúrgica ou não; ou campo visual igual ou inferior a 60°,considerando ambos os olhos ou as duas ocorrências simultâneas.
Por esta definição, pode-se perceber que deficiente visual não é apenas aquele que nada vê, mas também aquele que foi acometido de uma perda significativa de sua condição visual. Decreto nº 5296/04.
Àqueles que ainda possuem algum resíduo visual chamamos de pessoa com  baixa visão ou com visão subnormal.
Para a pessoa com baixa visão, o apoio da tecnologia tem sido decisivo no seu crescimento, tanto acadêmico como profissional.
Lentes especiais, telessistemas e telelupas têm contribuído, sobremaneira, não só para a melhoria acadêmica, como para o ingresso desses cidadãos no mercado de trabalho.
No que se refere à questão da acessibilidade, apesar da existência de um conjunto de leis apontando para a necessidade de adaptação do espaço urbano, a pessoa com baixa visão não tem sido ouvido nos seus principais pleitos. Não se pode falar no uso de tecnologia sem que se tenha preparado, minimamente, o caminho a ser percorrido até ela. As pessoas com baixa visão necessitam de magnificação de imagens textos ampliados, na medida de sua acuidade visual.
Para as pessoas cegas, já existem no mercado leitores de tela e digitalizadores de textos que lhes permitem acesso a livros e informação com grande qualidade, diferentemente de tempos passados, onde a informação lhe chegava de acordo com o pensamento de quem lhe permitia. 


 

 

 

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